Dia Dos Pais

Um dia que muda de sentido todo ano para mim. Na verdade, muda o sentimento sentido nesse data comemorativa. Quando criança via como um dia que eu tinha que dar um presente ao meu pai. Entre os 10 e 15 anos mais ou menos, sentia um certo desconforto com essa data. E agora posso dizer que tenho compreendido o que esperar desse dia.

Jamais esquecerei de uma missa dos pais, que fui por ser ativo na igreja católica, sem que ele estivesse no meio de nós. Ainda adolescente, senti como se fosse a única pessoa a sentir aquilo, um ser diferente, especial talvez… Enquanto todos teriam os pais para ver suas homenagens eu não teria tal privilégio. Pelo menos era o que eu pensava. Foi estranho…

Angústia, raiva e dor foram sendo transformadas ao longo do tempo em saudade, respeito e paz. As coisas foram mudando enquanto eu em minha inocência não percebia que minha mãe faria ao mesmo tempo, papel de pai e mãe.  Aprendi que isso era valioso. Reconhecimento. Senti na pele uma certa descriminação, por não ter um pai por perto… Talvez fosse pena, mas com certeza eu não me sentia igual aos meus próximos. Talvez esteja na consciência coletiva o quão é difícil crescer sem alguém para seguir o exemplo…

Hoje como pai posso sentir coisas diferentes. Por vezes me sinto aquela criança “desamparada” por não ter a maturidade ou sabedoria de lidar com tudo o que acontece enquanto você tenta criar um ser humaninho. Já dizia Renato Russo: “São crianças como você… O que você vai ser, quando você crescer”. Admito que ser pai é tão difícil quanto ser filho. Você precisa perdoar, amparar e dar o exemplo a outra pessoa que ainda nem sabe o que quer, quando muitas vezes nem você mesmo sabe.

Aprendi ao passar desses dois anos de paternidade o que é mais importante para um pai. E coloque nessa conta mães solteiras, avós, avôs, tios, tias de todos os tipos e gêneros. É importante ver sua cria feliz, saudável, enveredando pelos caminhos que você julga corretos, mas o que mais deixa um pai feliz é o que os filhos mais precisam ao longo dos anos, e isso chama-se atenção.

Esqueça tudo que for de presente! Quer dizer… Não, não esqueça! Seja ele o preço que for, a forma que for e a data que for entregue. Diga que o ama do fundo do seu coração. Porque se você não disser, um dia pode ser tarde demais. E se nada disso for possível, de um forte abraço. Porque só hoje  como pai posso dizer com toda a certeza o poder que tem um abraço de um filho.

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Complemento

A vida nos levou em uma busca implacável

Dias e dias desvendando monstros e moinhos

À procura de um amor perfeito e estável

Descobrindo novas paixões e novos caminhos

 

A cada dia mais distante do ideal desejável

Deixadas cicatrizes de ódio e de carinhos

A mercê de uma vontade exponencialmente inabalável

De se aconchegar em alguém e criar seu ninho

 

Enfim nos encontramos, depois de tantas aventuras

Longe do imperfeito e muito distante do ideal

Ainda que nas mais intrigantes conjecturas

Conseguimos inexplicavelmente formar um casal

 

Não sabemos onde nem porque nem quando

Desconhecemos a fórmula do nossos feitos astutos

Vivemos esse tempo simplesmente amando

Uma vida separados e uma eternidade juntos.

 

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Ano Novo

Mais um ano se passa e essa época é cheia energias boas que nos fazem refletir sobre a vida e bla bla bla bla blá. Embora isso seja verdade, sempre acabamos enrolando sobre os nossos reais problemas e dificuldades. Buscando de uma forma cega os nossos desejos de melhorar e conquistar.
O maior problema que envolve esta época do ano é o fato desestimulante de isso “só acontecer nessa época”. Será que isso é realmente um problema? Em uma calorosa reflexão, com minha atual companheira, chegamos à conclusão que é melhor fazer algo pelo menos em alguma época do ano do que em nenhuma. Caridade, resolver problemas mal resolvidos, fazer aquelas coisas chatas que sempre empurramos com a barriga, e muitas outras coisas que nos fazem acreditar na humanidade e em nós mesmos.
A verdade é que deveremos antes de sonhar com nossos passos futuros, olhar um pouco para o passado e o presente. Porque só assim podemos compreender o que já aprendemos, quem realmente somos e com um pouco de paciência e determinação, descobrir para onde queremos ir.
Sem mais delongas, o que realmente aconteceu é que eu acabei esquecendo o que gostaria de falar, embora já tenha mandado a mensagem principal. E eu? O que realmente aprendi em 2015? Pouco, mas serão aprendizados que levarei para o resto da minha vida. É melhor comer um bolo solado (você pode colocar uma cobertura), do que comer um pão com verniz (caso esqueça que derramou verniz no carro e guarde os sacos de pão na poça), lavar a louça toda é um exercício que fará você uma pessoa melhor, e o principal: sonhar não é um problema, o problema é você não fazer nada para realizá-lo. Próspero ano novo.

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A nossa JAM

Nossas vidas se uniram como que em uma JAM. Notas sequenciadas num ritmo que vai sendo harmonizado com diferentes instrumentos, escalas maiores, menores e outras que nunca ouvi falar, todas prontas para criar algo novo. Podemos dizer que nos encontramos em uma esquina da vida, meio que em hora perdida… Cada um com sua história tão diferente e mesmo que sem plantar, algo nasceu com um simples olhar.

Passamos tanto tempo tentando descobrir sobre o outro, de uma forma tão intensa, que em pouco tempo, o outro se tornou o cotidiano. Foram horas e mais horas não tentando agradar um ao outro, simplesmente fazendo coisas em comum. Filmes e seriados para uma vida e mais um pouco. Cafés, comidas e bebidas que foram sendo consumidas com gosto. De tudo um pouco e mesmo assim ainda não fizemos juntos tudo o que queremos.

Nem a Geni foi tão criticada. Dificuldades que passamos pelo olhar alheio, e também pelo nosso, sejamos sinceros. Fizemos do mundo nosso lar, nosso inimigo e nosso amigo. Descobrimos enfim que somos humanos. Defeitos e características que não agradam foram simplesmente observadas e aos poucos perdoadas e quem sabe até amadas. Dizem que nos apaixonamos pelas qualidades, mas amamos pelos defeitos. Tomamos juntos decisões difíceis, que ficaram mais amenas, tranquilas simplesmente por estarmos unidos.

Me pergunto às vezes o que me atraiu em você e o que te atraiu em mim. Do meu lado vejo suas gargalhadas sinceras, aquelas sirenes que acordavam todo mundo e faziam todos saber da sua presença. Talvez um pouco das babas escorridas com sua cabeça em meu colo ao dormir. Ou uma iniciativa corajosa que tomaste no começo. Acho que ainda vou passar muito tempo tentando descobrir o que viste em mim.

O mais difícil é acreditar que com os nossos “diálogos acalorados”. Duas pessoas tão diferentes, orgulhosas e cabeças duras consigam tomar um rumo comum, lado a lado. Estou escrevendo hoje não por causa das suas continuas cobranças que me tiravam o juízo, mas pelo simples fato de que a hora de falar chegou. Acredito que o melhor que podemos fazer é seguir o sentido da nossa relação. Essa JAM com inicialmente 2 instrumentos, agora 3 (Otto está prestes a entrar no ritmo) e simplesmente viver, sentir e fazer, ao invés de buscar compreender.

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Ao próximo regime.

A calmaria após a tempestade. Esse é um dito popular que eu acredito ser do conhecimento de várias gerações. E é a partir dele que gostaria de fazer uma reflexão. Curiosamente, relacionado a um assunto que não gosto de discutir, nem tenho afinidade. Política.

Ao longo da história, é comprovado e sabido que antes de um novo regime surgir há um distúrbio no atual que gerará mudanças drásticas ao regime vigente. Um exemplo claro e historicamente não tão distante é o surgimento da burguesia, que acarretou, dentre outras coisas, no fim do regime absolutista.

Assistindo à serie de reprimendas a um candidato ao cargo de presidência do brasil sobre a sua opinião, que está diretamente ligada à sua fé, com relação aos “bons e velhos costumes”. Só para deixar claro, não estou defendendo-o, apenas estou usando-o como ponto de partida para meu argumento. Ele repreende toda e qualquer opção sexual que não seja a hetero.

Não muito distante, as pessoas que optavam por um direcionamento sexual que não fosse hetero, se fosse acusado, “bulinado”, por alguém, esse fato além de corriqueiro, não acarretaria em maiores consequências.  Infelizmente para o candidato, a sociedade evolui como um todo, procurando respeitar e defender o direito de todos.

O que isso tem a ver com o regime? Simples. Os direitos sendo garantidos das formas mais diversas, protegidos e garantidos, são uma prova concreta da mudança que está acontecendo. Gostaria de saber aonde isso vai parar, e em que tipo de democracia estaremos inseridos daqui a alguns anos. Ficaria extremamente feliz, se tudo no setor público e privado funcionassem de uma forma igualitária e ao invés de competir, se associarem. Ainda mais feliz só se essa mudança não nos levar a uma anarquia, que é o que está me parecendo, da liberdade à libertinagem.

Parece que nem todo mundo consegue perceber as mudanças. Talvez porque nesse caso não seja um calor sufocante ou aquele mormaço de deixar tonto. Ou até mesmo porque não é um João de Barro que vai virar a abertura de sua casa para um determinado lado. A mudança da maré está em um lugar que sempre é debatido, mas em seguida volta para a gaveta. A tsunami de mudanças vem pelo lado social, pelo lado humanístico, essa onda que por muitos anos nem considerada ciência foi. Ao próximo regime, por favor, que seja descente, honesto, respeitoso e honroso.

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Ah pai.

Ah pai. Em primeiro lugar, gostaria de pedir perdão. Perdão por ser humano. Você, o homem que mesmo depois de morto ainda me ensina somente com suas lembranças.  Que me mostrou durante a sua vida o quanto o amor pode mudar alguém, o que um ser humano é capaz de fazer consigo e com os outros por tão nobre sentimento. Perdão por chorar como criança diante das dores e obstáculos que surgem, ou pelas lembranças boas e ruins que tenho da minha vida.

Ah pai. Como pode a vida, algo tão belo e sutil cometer tantas atrocidades? Nós, meros humanos, pequenos como grãos de areia diante de uma força tão grande. Humanos que riem, choram, cantam, dançam, em momentos mais diferentes possíveis, fazem de grandes obstáculos apenas mais um passo e tremem diante de dificuldades menores que nossos pés.

Ah pai. O que acontece conosco, que podemos decifrar o maior dos mistérios quando queremos, e ao mesmo tempo nos cegamos as coisas mais visíveis e fáceis de compreender? Temos força para mover montanhas e desviar cursos de rios, mas não conseguimos dar a mão a quem precisa. Viajamos, corremos, mas às vezes falta força para percorrer o caminho curto de ir buscar um simples copo de água.

Ah pai. Quem diria que construímos casas e costuramos roupas para fugir das forças do tempo e da natureza, mas nos mostramos frágeis a um por do sol. Como podemos ter tantas esperanças em um nascer do sol e ao mesmo tempo perder o sono durante a noite? Podemos reconstruir cidades após furações e trememos de frio com uma leve brisa. Deixamos o mar invadir cidades, assim como deixamos outras não ver água por meses…

Ah pai. Tudo o que me resta nesse meio tempo que chamamos de vida é ser humano. Viver a vida ouvindo o ritmo, tocando minhas notas e realizando uma sinfonia. Fazer todas essas mágicas que fazemos e deixar de fazer todas as que não fazemos. Ter alegrias e tristezas sem arrependimentos, o que seria ideal. Ah pai, gostaria de um dia, talvez, poder ser um super herói, ou quem sabe mais, quem sabe, pai.

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Pobre Diabo

Um anjo. Hoje seria um bom dia para discursar sobre um dos personagens mais mal interpretados da história. Infelizmente, alguns poderão me interpretar erroneamente. Não parto em defesa do próprio, mas sim, em esclarecimento dos fatos que muitas vezes são distorcidos e mal interpretados.

Visto em muitas religiões, crenças e culturas como a origem do mal, ele é o lado que sempre será citado como algo a ser afastado ou evitado. Mas na realidade, o que acontece é que o pobre diabo, é apenas mais um Deus ou Anjo, uma entidade superior ao humano, uma força desconhecida que queria algo diferente.  Ele seria o rebelde, que ansiaria e reivindicaria por algo que não lhe pertencia.

Vejo tantas pessoas louvar a Deus, ou criticar o Diabo sem ter noção do que realmente está por trás da função de cada um. Falarei hoje, sobre o lado negro.  Nada mais nada menos do que uma caracterização humana de algo superior, humana sim, mas do lado ruim. Mentiroso, ardiloso, covarde, inescrupuloso, temperamental, impaciente, ambicioso e outras características que poderia discursar por um pouco mais de tempo. Ele é assim, mas em sua origem, não é O MAL, é apenas, um dos lados da moeda de nossas fés e necessidades.

Um lisonjeiro apelido ao meu ver. Esse que me deram. Para quem não sabe, fique sabendo que em alguns lugares, sou conhecido como “capeta”, caps, para os mais íntimos. Porque, o que a imagem que eu tenho dessa entidade, nem chega a ser a de algo maligno, mas que atiça, provoca as pessoas a fazer algo que, na maioria das vezes causará prejuízos a outras pessoas. Um ser provocante, será que é assim que me veem? Quem sabe?

Acredite se quiser, mas, hoje não estou para advogado do diabo. Pois sei que ele é pobre, não de dinheiro (falso) como todo o resto de suas coisas, mas de compreensão e respeito, assim como o lado benigno da humanidade. Nós, humanos por natureza, tendemos a “desumanizar” as coisas, para que possamos, não só entende-las, como culpa-las. Talvez, o diabo seja pobre, não por mérito próprio, mas apenas porque não tenhamos mais nada de valor a ofrecê-lo.

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